Amanhã, dizem!, será o dia da apresentação do Orçamento do Estado (OE) definitivo!
Depois de mais de um mês com avanços e recuos. Medidas e mais medidas, umas a caírem, outras novas em cima da mesa... Não me lembro de algum dia se ter passado tal trapalhada e tal confusão!

D. Policarpo parece que disse que «isto» não vai lá com manifestações nem tão-pouco com revoluções. Com uma revolução também não acredito que «isto» vá ao lugar... mas com manifestações acredito que sim. Aliás, e ao contrário do que disse D. Policarpo, a democracia passa também pela liberdade de um povo manifestar aos seus governantes o seu descontentamento.

No passado não muito longínquo, Mário Soares escreveu um livro intitulado Portugal Amordaçado. Pois neste momento o título é extremamente atual. Aliás, até penso que se deveria acrescentar: Portugal amordaçado, manietado e amortalhado.

Um lamentável exemplo disto foi o episódio no dia 5 de outubro o presidente da República ter içado a bandeira com o Escudo de Portugal voltado de cabeça para baixo! Os militares sabem bem o que isto quer dizer: território ocupado; o país rende-se aos «inimigos».

A Tragédia, entre os gregos da antiguidade clássica, era considerada o mais nobre dos géneros. No princípio, consistia apenas num diálogo entre um ator (o hipócrita) e um coro (os sátiros). A pouco e pouco foi-se acrescentando mais atores principais, até um máximo de três: o protagonista, o deuteragonista (o que representa o segundo papel) e o tritagonista (o que representa o terceiro papel na tragédia, reduzindo assim a atuação narrativa do coro). O coro, na tragédia grega, desempenha um papel importantíssimo, porque representa a voz do senso comum.
Assim, os autores das tragédias gregas iam avançando na sua história abrindo caminho à ação para a desgraça final com a rapidez exigida pela tragédia. Quanto mais rápido é o desenlace, tanto mais a obra ganha em beleza.

Ora nesta nossa tragédia, em que temos três protagonistas, nada disto tem beleza, pelo contrário. Mas estes três protagonistas estão a encaminhar a ação muito rapidamente até ao desenlace final que se avizinha trágico: o número de falências de micro e pequenas empresas pode ser assustador; o número de desempregados pode disparar; os cidadãos a empobrecer a olhos vistos.

E o que fazem estes três atores desta tragédia que é em simultâneo, ironia do destino, grega e portuguesa? Pois, seguem o caminho mais fácil e mais rápido: vão-nos ao bolso! As «famosas» reformas ainda não saíram do papel ou dos gabinetes que nós pagamos a peso de oiro. Porque é que não se renegoceia as PPP dizendo apenas isto: Estamos falidos, não vos podemos pagar. Ponto final!
É assim que se passa com  as famílias que entram em falência... é assim com as empresas... Porque faliu, não pode pagar. Fim da história.

Até aqui tudo certo, tudo correto. Mas... há o reverso da medalha! Os três atores atuais não se querem esgotar nesta representação. Querem ter um futuro e talvez não convenha zangarem-se com os das privadas, porque, quando a sua atuação terminar, necessitam de uns valentes «tachos» num sítio qualquer em que nada fazem e são muito bem pagos. 

Sim, porque cá em Portugal se começa pelo fim (tal bandeira ao contrário): são políticos primeiro e gestores, diretores, assessores, etc. depois, com ordenados pornográficos. Cá, neste retangulozinho à beira mar plantado, existe uma profissão extraordinária: político de carreira...!!!!! O que significa: um indivíduo que nada faz, ganha muito bem e a sua utilidade é uma inutilidade. Claro que o seu «ordenadinho» é pago com os tostões dos contribuintes.

Meus queridos amigos, a «coisa» tem de mudar. E mudar radicalmente. É nos momentos de crise, de tragédia, que nasce a esperança de mudança. E só pode ser o coro (a voz do senso comum) que tem de se elevar, que tem de se fazer ouvir mais alto que as vozes destes atores que há mais de vinte anos (20) nos levam calmamente em direção à desgraça, à lama em que agora estamos atolados.

Desde o 25 de Abril que assistimos ao «Rotativismo», isto é, PS versus PSD, com o terceiro ator no CDS. E andamos nisto; os protagonistas ora mandam, ora se sentam nos lugares da «oposição». Trocam de posições e volta tudo ao mesmo! Tachos e mais tachos, clientelismo, corrupção...

E é no Coro desta Tragédia que tem de partir a voz do bom senso: Que tal não ir aos votos quando chegarem as eleições? Se o Coro fizesse «greve» às eleições era fantástico! Dizer BASTA a este bando do Rotativismo e dizer-lhes muito clara e abertamente: IDE TRABALHAR.

publicado por livrosepalavras às 10:28